Fonoaudiologia Infantil

BERA e Teste da Orelhinha: O Que Sao

O nascimento de um filho traz uma avalanche de sentimentos e, junto com a alegria, surge a responsabilidade de garantir que o pequeno esteja se desenvolvendo de…

O nascimento de um filho traz uma avalanche de sentimentos e, junto com a alegria, surge a responsabilidade de garantir que o pequeno esteja se desenvolvendo de forma plena. Uma das maiores preocupações de pais e fonoaudiólogos é a capacidade auditiva, pois ela é o alicerce para a aquisição da linguagem e para a interação social do bebê. Detectar qualquer alteração precocemente não é apenas uma medida preventiva, é uma forma de garantir que a criança tenha todas as ferramentas necessárias para explorar o mundo ao seu redor.

Nas primeiras horas de vida, ainda na maternidade, o bebê passa por uma série de avaliações clínicas importantes. Entre elas, destaca-se a Triagem Auditiva Neonatal, popularmente conhecida como Teste da Orelhinha. No entanto, por vezes, os resultados dessa triagem inicial podem gerar dúvidas ou necessidade de complementação, e é nesse cenário que o BERA entra como um exame fundamental e mais detalhado. Compreender a diferença entre esses dois procedimentos é essencial para que a família se sinta segura e acolhida durante o acompanhamento fonoaudiológico.

O Que É O Teste Da Orelhinha

O Teste da Orelhinha, tecnicamente chamado de Emissões Otoacústicas Evocadas, é o primeiro passo para monitorar a saúde auditiva do recém-nascido. Ele é rápido, indolor e não exige que o bebê tome qualquer tipo de sedação, sendo idealmente realizado enquanto a criança dorme de forma natural. O objetivo principal é verificar se a cóclea, que é a parte interna do ouvido responsável por processar o som, está funcionando corretamente.

De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria, este exame deve ser realizado preferencialmente nas primeiras 48 horas de vida. O procedimento consiste na colocação de uma pequena sonda macia na entrada do canal auditivo, que emite estímulos sonoros e capta o retorno desses sons produzidos pelas células ciliadas externas da cóclea.

  • Exame rápido que dura cerca de 5 a 10 minutos.
  • Não causa dor ou desconforto ao bebê.
  • Realizado preferencialmente nos primeiros dias de vida.
  • Obrigatório por lei em todas as maternidades brasileiras.

Quando O Bera É Solicitado

O BERA, sigla para Brainstem Evoked Response Audiometry, ou Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico, é um exame mais complexo e profundo que o Teste da Orelhinha. Enquanto a triagem inicial foca na cóclea, o BERA avalia toda a via auditiva, desde a orelha interna até o tronco encefálico, verificando como o nervo auditivo transporta o som para o cérebro.

Existem situações específicas em que este exame se torna indispensável. Ele é solicitado quando o bebê não apresenta respostas satisfatórias no Teste da Orelhinha no reteste, ou quando a criança possui indicadores de risco para deficiência auditiva, como internação em UTI neonatal por mais de cinco dias, malformações de face, infecções congênitas como sífilis ou toxoplasmose, ou histórico familiar de surdez na infância.

As Principais Diferenças Entre Os Exames

É comum que os pais fiquem ansiosos ao ouvir que o filho precisa de um exame complementar, mas entender as distinções técnicas ajuda a desmistificar o processo. O Teste da Orelhinha funciona como uma triagem em larga escala, enquanto o BERA é uma avaliação diagnóstica de precisão.

A principal diferença reside no local de análise. O teste inicial é periférico. Já o BERA é eletrofisiológico, utilizando eletrodos colados na testa e atrás da orelha do bebê para medir a atividade elétrica do nervo auditivo em resposta aos estímulos sonoros.

  • Objetivo: A Orelhinha tria; o BERA diagnostica e quantifica a perda.
  • Complexidade: O BERA analisa a integridade do caminho do som até o cérebro.
  • Tempo de execução: O BERA costuma levar entre 30 a 60 minutos.
  • Preparação: No BERA, o bebê precisa estar em sono profundo e tranquilo.

A Importância Do Diagnóstico Precoce

A audição é o sentido que permite ao bebê captar os fonemas e começar a balbuciar. Se uma perda auditiva não é identificada nos primeiros meses, o atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem pode ser significativo. A Organização Mundial da Saúde enfatiza que a intervenção precoce, iniciada antes dos seis meses de idade, oferece à criança chances muito maiores de desenvolver uma linguagem comparável à de crianças ouvintes.

Como fonoaudióloga, vejo no consultório que o acompanhamento ágil faz toda a diferença. Se o BERA indicar alguma alteração, iniciamos prontamente as estratégias de reabilitação, que podem envolver o uso de aparelhos auditivos ou outras tecnologias, acompanhadas de terapia fonoaudiológica especializada.

O Papel Da Família E Do Fonoaudiólogo

Receber o encaminhamento para um exame auditivo mais detalhado pode assustar, mas o papel da família é manter a calma e seguir as orientações profissionais. O fonoaudiólogo é o especialista capacitado para realizar esses exames e interpretar os resultados com precisão, oferecendo o suporte necessário para os próximos passos.

Durante a realização do BERA, os pais podem acompanhar o processo, garantindo que o bebê esteja confortável. O ambiente é silencioso e o cuidado é humanizado, focando sempre no bem-estar do pequeno e na segurança clínica dos dados coletados.

  • Mantenha o acompanhamento fonoaudiológico de rotina.
  • Observe se o bebê se assusta com sons fortes ou se busca a voz da mãe.
  • Não atrase a realização do reteste se for solicitado pela maternidade.
  • Tire todas as dúvidas sobre o laudo técnico com o profissional.

Concluindo O Cuidado Com A Audição

Garantir que seu filho ouça bem é abrir as portas para um mundo de possibilidades de comunicação e afeto. O Teste da Orelhinha e o BERA são aliados poderosos da saúde infantil e não devem ser vistos com medo, mas como ferramentas de proteção. Se você recebeu a recomendação para realizar algum desses exames ou se tem dúvidas sobre o desenvolvimento auditivo do seu bebê, saiba que o suporte especializado faz toda a diferença nessa jornada.

O acompanhamento fonoaudiológico atento permite que cada etapa do crescimento do seu pequeno seja celebrada com segurança. Se precisar de uma avaliação detalhada ou de orientação sobre os marcos do desenvolvimento auditivo e da linguagem, meu atendimento está à disposição para guiar sua família com técnica e muito acolhimento, inclusive de forma remota para sua comodidade.

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